Wednesday, March 10, 2010

Bem-vindo a casa

Chegou o dia de ir buscar o bicho. Combinámos uma hora com a Andreia e metêmo-nos ao caminho. Ela morava para os lados do Alto de S. João, e àquela hora da noite estava tudo em casa a jantar, pelo que não havia ninguém a quem perguntar por indicações.
Quando finalmente chegámos e ela nos abriu a porta, ouvi logo uns miados frágeis. O cesto dos gatinhos estava na sala e ela foi logo buscar a pequena peste.
Era uma bolinha de pêlo cor-de-laranja espetado, com olhinhos vivos e curiosos, e que miava desconsoladamente, apavorado. E pronto, fiquei apanhada pelo bicho.
Voltar para casa foi um desafio. Ir de autocarro com uma caixa de cartão com um gato que não parava de miar lá dentro estava fora de questão, porque mesmo sem trânsito, o percurso levaria pelo menos uns bons quarenta minutos. Portanto, apanhámos um táxi.
Ao ouvir os miados desesperados do bicho, o taxista não conseguia evitar rir entre dentes.
- Que grande fera que aí vai dentro! - comentou.
- Está assustado - respondi-lhe, enquanto enfiava a mão dentro da caixa para tentar acalmar o bichano. - Schiu, pequenino, estamos a chegar...
Já em casa, tirámo-lo da caixa e metemo-lo no chão. Ele olhava em volta, aterrorizado, sempre a emitir aqueles miadinhos de medo. Peguei-lhe ao colo e senti-o a tremer, e levei-o para junto da tigela meia de leite para gatinhos da Whiskas. O gajo nem lhe tocou. Olhou para mim com ar snob e quase podia jurar que me perguntou com os olhinhos: «Mas que merda é esta? Leite? Achas mesmo que vou beber isto?»
Quando se tornou claro que ele não ia tocar no leite, abri uma lata de Whiskas gatinho, et voilà, o Fred perdeu o medo e começou a comer. E depois, de barriga cheia, começou a explorar os cantos da casa.

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